Dia Internacional da Mulher 2022: O nosso compromisso para levar avante a igualdade de género hoje para um amanhã sustentável

 

 

Comunicado da OSF África No Dia Internacional da Mulher 2022:

O nosso compromisso para levar avante a igualdade de género hoje para um amanhã sustentável

Enquanto nos juntámos a milhões de pessoas em todo o mundo para celebrar o Dia Internacional da Mulher, e reconhecer as muitas realizações e contribuições que as mulheres tiveram ao longo dos anos, estamos também cientes dos muitos desafios que ainda persistem. Como mulheres africanas e pessoas de género não binário, estamos muito cientes de que o Dia Internacional da Mulher de 2022 decorre durante a pandemia da Covid-19, a qual agravou ao longo dos últimos dois anos, um conjunto de crises estratificadas em África. A mais premente sendo uma crise sanitária que expôs a inadequação dos actuais investimentos no sector da saúde, e a desigualdade no acesso aos serviços de saúde por parte dos cidadãos. A crise que se repercute para além da económica inclue, a regressão nos ganhos sociais conseguidos ao longo da última década em relação à igualdade de género, acesso aos serviços sociais, e oportunidades para os jovens. As actuais crises estratificadas ameaçam todos estes ganhos com a Perspectiva Económica Africana de 2021 a declarar que as “mulheres e os agregados familiares encabeçados por mulheres, poderão representar uma grande proporção dos novos empobrecidos devido à COVID-19[1].”

 

mulheres e os agregados familiares encabeçados por mulheres, poderão representar uma grande proporção dos novos empobrecidos devido à COVID-19.”

Ao mesmo tempo, os esforços de África de consolidar a mobilização de recursos internos, estão a ser gravemente prejudicados pelo crescente peso da dívida. Muitos países africanos estão presos na armadilha da dívida, e isto tem um impacto directo nos jovens do continente em geral, e mais especificamente nas raparigas.  A dívida afecta negativamente as mulheres, uma vez que afecta a despesa pública,  a qual é fundamental para reduzir a desigualdade de rendimentos através da protecção social, e outros investimentos para o bem-estar social que diminuem a carga sobre os mais pobres, que são geralmente mulheres, jovens, e pessoas de género não binário.  Um estudo em 13 países em desenvolvimento em todo o mundo, concluiu que 69% da redução da desigualdade se deveu aos serviços públicos que são grandes equalizadores, particularmente para as mulheres e raparigas. Infelizmente, os níveis médios de despesa para a saúde e a educação estão bem abaixo dos estimados como necessários para atingir os ODS (15% e 20%, respectivamente). Em média, os países de baixa renda, a maioria dos quais se situam em África, gastam 6% dos seus orçamentos em protecção social, 8% na saúde, e 16% na educação. Em muitos países africanos, a despesa em saúde e educação é ultrapassada pela dívida em termos do PIB. Para criar sociedades sustentáveis para além da pandemia da Covid-19, são necessários aumentos substanciais na despesa com a saúde, a educação, e a protecção social.

 

Estes fardos são agravados pelos violentos conflitos em todo o continente, incluindo o Sael, o Sudão, a Etiópia, Moçambique e a Nigéria, e outros locais problemáticos onde a guerra tem sido travada nos corpos das mulheres, por intervenientes estatais e não-estatais, sem recurso à justiça.

 

Reconhecemos a urgência do lema do Dia Internacional da Mulher deste ano, Igualdade de Género Hoje para um Amanhã Sustentável. Como mulheres e funcionárias de género não binárias da OSF África, celebramos o compromisso da nossa organização à nossa nova estratégia, a qual centraliza os direitos das mulheres e a justiça de género em todos os seus pilares de trabalho. Para além disso, 50% do orçamento de criação de subvenções da OSF África está direccionado para o apoiar aos movimentos feministas pan-africanos, e à organização dos jovens no continente. Estamos ansiosos em juntar forças com os nossos amigos e parceiros, para tornar realidade o apelo da “igualdade de género hoje para um amanhã sustentável”.

 

1] Consultar página 23

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